O relógio me prende no pulso,
O tempo me ata à vida.

Metal que algema,
Corpo que respira.

Ponteiros giram,
Células expiram.

Breve e tardia,
Oh!, existência bendita:

É Deus que me habita,
Mas cruz que me possui.

O relógio faz lembrar
Do que o tempo traz à luz:

Meu pulso cessará,
Desatando o laço que eu não dispus.

Passado tempo, a questão restará:
E eu, será que fui?

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Guilherme Sant'Anna

Guilherme Sant'Anna

Psicólogo. Escrevo pois a existência me exige; publico os escritos por saber que as exigências vêm em diversas formas, e as palavras nos ajudam a respondê-las.